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	<title>Partido Verde Farroupilha &#187; natureza</title>
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		<title>Eduardo Galeano aponta quatro mentiras sobre o ambiente</title>
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		<pubDate>Mon, 23 May 2011 11:58:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Glacir Gomes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>
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		<description><![CDATA[Eduardo Galeano( escritor e jornalista uruguaio) 1 – Somos todos culpados pela ruína do planeta. A saúde do mundo está feito um caco. “Somos todos responsáveis”, clamam as vozes do alarme universal, e a generalização absolve: se somos todos responsáveis, ninguém é. Como coelhos, reproduzem-se os novos tecnocratas do meio ambiente. É a maior taxa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: medium;"><strong>Eduardo Galeano(  escritor e jornalista uruguaio) </strong><span id="more-814"></span></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><strong><a href="http://www.pvfar.com.br/wp-content/uploads/2011/05/meioAmbiente.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-818" title="meioAmbiente" src="http://www.pvfar.com.br/wp-content/uploads/2011/05/meioAmbiente.jpg" alt="" width="278" height="181" /></a></strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>1 – Somos todos culpados pela  ruína do planeta.</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><strong> </strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">A saúde do mundo está feito um caco. <strong>“Somos todos  responsáveis”,</strong> clamam as vozes do alarme universal, e a generalização  absolve: <strong>se somos todos responsáveis, ninguém é</strong>. Como coelhos, reproduzem-se os  novos tecnocratas do meio ambiente. É a maior taxa de natalidade do mundo: os  experts geram experts e mais experts que se ocupam de envolver o tema com o  papel celofane da ambiguidade. Eles fabricam a brumosa linguagem das exortações  ao “sacrifício de todos” nas declarações dos governos e nos solenes acordos  internacionais que ninguém cumpre. Estas cataratas de palavras – inundação que  ameaça se converter em uma catástrofe ecológica comparável ao buraco na camada  de ozônio – não se desencadeiam gratuitamente. A linguagem oficial asfixia a  realidade para outorgar impunidade à sociedade de consumo, que é imposta como  modelo em nome do desenvolvimento, e às grandes empresas que tiram proveito  dele. Mas, as estatísticas confessam.. Os dados ocultos sob o palavreado revelam  que 20% da humanidade comete 80% das agressões contra a natureza, crime que os  assassinos chamam de suicídio, e é a humanidade inteira que paga as  consequências da degradação da terra, da intoxicação do ar, do envenenamento da  água, do enlouquecimento do clima e da dilapidação dos recursos naturais  não-renováveis. A senhora Harlem Bruntland, que encabeça o governo da Noruega,  comprovou recentemente que, se os 7 bilhões de habitantes do planeta consumissem  o mesmo que os países desenvolvidos do Ocidente, “faltariam 10 planetas como o  nosso para satisfazerem todas as suas necessidades. ” Uma experiência  impossível.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Mas, os governantes dos países do Sul que prometem o ingresso no Primeiro  Mundo, mágico passaporte que nos fará, a todos, ricos e felizes, não deveriam  ser só processados por calote. Não estão só pegando em nosso pé, não: esses  governantes estão, além disso, cometendo o delito de apologia do crime. Porque  este sistema de vida que se oferece como paraíso, fundado na exploração do  próximo e na aniquilação da natureza, é o que está fazendo adoecer nosso corpo,  está envenenando nossa alma e está deixando-nos sem mundo.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>2 – É verde aquilo que se pinta de verde.</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Agora, os gigantes da indústria química fazem sua publicidade na cor verde, e  o Banco Mundial lava sua imagem, repetindo a palavra ecologia em cada página de  seus informes e tingindo de verde seus empréstimos. “Nas condições de nossos  empréstimos há normas ambientais estritas”, esclarece o presidente da suprema  instituição bancária do mundo. Somos todos ecologistas, até que alguma medida  concreta limite a liberdade de contaminação.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Quando se aprovou, no Parlamento do Uruguai, uma tímida lei de defesa do  meio-ambiente, as empresas que lançam veneno no ar e poluem as águas sacaram,  subitamente, da recém-comprada máscara verde e gritaram sua verdade em termos  que poderiam ser resumidos assim: “os defensores da natureza são advogados da  pobreza, dedicados a sabotarem o desenvolvimento econômico e a espantarem o  investimento estrangeiro.” O Banco Mundial, ao contrário, é o principal promotor  da riqueza, do desenvolvimento e do investimento estrangeiro. Talvez, por reunir  tantas virtudes, o Banco manipulará, junto à ONU, o recém-criado Fundo para o  Meio-Ambiente Mundial. Este imposto à má consciência vai dispor de pouco  dinheiro, 100 vezes menos do que haviam pedido os ecologistas, para financiar  projetos que não destruam a natureza. Intenção inatacável, conclusão inevitável:  se esses projetos requerem um fundo especial, o Banco Mundial está admitindo, de  fato, que todos os seus demais projetos fazem um fraco favor ao  meio-ambiente.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">O Banco se chama Mundial, da mesma forma que o Fundo Monetário se chama  Internacional, mas estes irmãos gêmeos vivem, cobram e decidem em Washington.  Quem paga, manda, e a numerosa tecnocracia jamais cospe no prato em que come.  Sendo, como é, o principal credor do chamado Terceiro Mundo, o Banco Mundial  governa nossos escravizados países que, a título de serviço da dívida, pagam a  seus credores externos 250 mil dólares por minuto, e lhes impõe sua política  econômica, em função do dinheiro que concede ou promete. A divinização do  mercado, que compra cada vez menos e paga cada vez pior, permite abarrotar de  mágicas bugigangas as grandes cidades do sul do mundo, drogadas pela religião do  consumo, enquanto <strong>os campos se esgotam</strong>, <strong>poluem-se as  águas que os alimentam</strong>, e <strong>uma crosta seca cobre os desertos que  antes foram bosques</strong>.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>3 – Entre o capital e o trabalho, a ecologia é neutra.</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Poder-se-á dizer qualquer coisa de Al Capone, mas ele era um cavalheiro: o  bondoso Al sempre enviava flores aos velórios de suas vítimas… As empresas  gigantes da indústria química, petroleira e automobilística pagaram boa parte  dos gastos da Eco 92: a conferência internacional que se ocupou, no Rio de  Janeiro, da agonia do planeta. E essa conferência, chamada de Reunião de Cúpula  da Terra, não condenou as transnacionais que produzem contaminação e vivem dela,  e nem sequer pronunciou uma palavra contra a ilimitada liberdade de comércio que  torna possível a venda de veneno.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">No grande baile de máscaras do fim do milênio, até a indústria química se  veste de verde. A angústia ecológica perturba o sono dos maiores laboratórios do  mundo que, para ajudarem a natureza, estão inventando novos cultivos  biotecnológicos. Mas, esses desvelos científicos não se propõem encontrar  plantas mais resistentes às pragas sem ajuda química, mas sim buscam novas  plantas capazes de resistir aos praguicidas e herbicidas que esses mesmos  laboratórios produzem. Das <strong>10</strong> maiores empresas do mundo  produtoras de sementes, <strong>6 </strong>fabricam pesticidas  (Sandoz-Ciba-Geigy, Dekalb, Pfizer, Upjohn, Shell, ICI). A indústria química não  tem tendências masoquistas.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">A recuperação do planeta ou daquilo que nos sobre dele implica na denúncia da  impunidade do dinheiro e da liberdade humana. A ecologia neutra, que mais se  parece com a jardinagem, torna-se cúmplice da injustiça de um mundo, onde a  comida sadia, a água limpa, o ar puro e o silêncio não são direitos de todos,  mas sim privilégios dos poucos que podem pagar por eles. Chico Mendes,  trabalhador da borracha, tombou assassinado em fins de <strong>1988</strong>, na  Amazônia brasileira, por acreditar no que acreditava: que a militância ecológica  não pode divorciar-se da luta social. Chico acreditava que a <strong>floresta  amazônica não será salva enquanto não se fizer uma reforma agrária no  Brasil</strong>. Cinco anos depois do crime, os bispos brasileiros denunciaram  que mais de 100 trabalhadores rurais morrem assassinados, a cada ano, na luta  pela terra, e calcularam que quatro milhões de camponeses sem trabalho vão às  cidades deixando as plantações do interior. Adaptando as cifras de cada país, a  declaração dos bispos retrata toda a América Latina. As grandes cidades  latino-americanas, inchadas até arrebentarem pela incessante invasão de exilados  do campo, são uma catástrofe ecológica: uma catástrofe que não se pode entender  nem alterar dentro dos limites da ecologia, surda ante o clamor social e cega  ante o compromisso político.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>4 – A natureza está fora de nós.</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Em seus 10 mandamentos, Deus esqueceu-se de mencionar a natureza. Entre as  ordens que nos enviou do Monte Sinai, o Senhor poderia ter acrescentado, por  exemplo: “<strong>Honrarás a natureza, da qual tu és parte.”</strong> Mas, isso  não lhe ocorreu. Há cinco séculos, quando a América foi aprisionada pelo mercado  mundial, a civilização invasora confundiu ecologia com idolatria. A comunhão com  a natureza era pecado. E merecia castigo. Segundo as crônicas da Conquista, os  índios nômades que usavam cascas para se vestirem jamais esfolavam o tronco  inteiro, para não aniquilarem a árvore, e os índios sedentários plantavam  cultivos diversos e com períodos de descanso, para não cansarem a terra. A  civilização, que vinha impor os devastadores monocultivos de exportação, não  podia entender as culturas integradas à natureza, e as confundiu com a vocação  demoníaca ou com a ignorância. Para a civilização que diz ser ocidental e  cristã, a natureza era uma besta feroz que tinha que ser domada e castigada para  que funcionasse como uma máquina, posta a nosso serviço desde sempre e para  sempre. A natureza, que era eterna, nos devia escravidão. Muito recentemente,  inteiramo-nos de que a natureza se cansa, como nós, seus filhos, e sabemos que,  tal como nós, pode morrer assassinada. Já não se fala de submeter a natureza.  Agora, <strong>até os seus verdugos dizem que é necessário protegê-la.</strong> Mas, num ou noutro caso, natureza submetida e natureza protegida, ela está fora  de nós. A civilização, que confunde os relógios com o tempo, o crescimento com o  desenvolvimento, e o grandalhão com a grandeza, também confunde a natureza com a  paisagem, enquanto o mundo, labirinto sem centro, dedica-se a romper seu próprio  céu.</span></p>
<div><span style="font-family: Verdana; font-size: medium;"><a href="http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/eduardo-galeano-aponta-quatro-mentiras-sobre-o-ambiente/?utm_source=newsletter&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=mercado-etico-hoje" target="_blank">http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/eduardo-galeano-aponta-quatro-mentiras-sobre-o-ambiente/?utm_source=newsletter&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=mercado-etico-hoje</a></span></div>
<div>17/05/2011</div>
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